August 1, 2010
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“É uma luta contra o tempo para julgar nazistas”
Efraim Zuroff, diretor do Centro Simon Wiesenthal em Jerusalém

Efraim Zuroff, o sucessor de Simon Wiesenthal, comanda a “Operação Última Chance” (www.operationlastchance.org), mesmo nome de livro que lançou recentemente, ainda inédito no Brasil. Por isso, é tido como “o último caçador de nazistas”. Confira trechos de entrevista por e-mail a ZH, em que cogita haver nazistas no Brasil:

Zero Hora – Quais são as principais dificuldades, hoje, para fazer de um nazista um réu?

Efraim Zuroff – O maior desafio é fazer com que os países os julguem, que haja vontade política. Sandor Kepiro é o maior exemplo. Ele já foi condenado na Hungria, em 1944. Mas fugiu, porque a Hungria foi invadida pelos nazistas. Já o localizamos novamente, quatro anos atrás, mas ele negou ter puxado o gatilho e está solto, em Budapeste, mesmo com condenação. Só que nem todo criminoso nazista puxou o gatilho. E os países não se interessam em se envolver com esse tipo de assunto. Preferem esperar que os nazistas morram ao natural. Sabem que são velhos e não vão matar mais. Mas já mataram.

ZH – E no Brasil, há nazistas vivendo entre nós?

Zuroff – Não tenho notícias disso, mas é bem possível que haja.

ZH – O sr. diz que está nos acréscimos do segundo tempo. Há esperança de encontrar mais nazistas?

Zuroff – Dentro de dois ou três anos, o último dos criminosos nazistas estará morto, velho ou doente demais para ser julgado. É uma luta contra o tempo. Mas há nazistas ainda vivos, e devemos às vítimas que eles paguem pelo que fizeram. Não se pode ter piedade com essa gente. A caça só terminará quando o último dos assassinos de Adolf Hitler esteja preso ou morto. Depois, o alvo são neonazistas e jihadistas (que pregam a guerra santa islâmica e promovem o terrorismo).

ZH – Como os nazistas costumam ser localizados?

Zuroff – Geralmente, a partir de informações anônimas.

ZH – O presidente do Irã, Mahmoud Ahmadinejad, que nega o Holocausto, foi recebido recentemente no Brasil. Como o sr. vê isso?

Zuroff – Lamento que o presidente Lula troque apertos de mão e abraços com ele. É doloroso, ultrajante e incompreensível para os judeus.

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