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O especialista
viaja pelo mundo em busca de informações que possam levar à condenação
criminosos de guerra
"É possível que o Brasil ainda abrigue vários criminosos nazistas remanescentes
da II Guerra Mundial". Quem afirma é o historiador judeu americano Efraim Zuroff, considerado o "último caçador nazista" e coordenador de Pesquisa e Estudos de Crimes de Guerra Nazistas do Centro Simon
Wiesenthal (SWC), que esteve, ontem, na sede da Ordem dos Advogados
do Brasil - Secção Ceará (OAB-CE) ministrando a palestra "Justiça e Herança Nazista".
De acordo com Zurof, nos países da América Latina,
em geral, há muitas dificuldades de acesso às informações sobre o
paradeiro de possíveis nazistas criminosos de guerra. "A situação é ruim. Trabalhamos em contato direto com os governos e dependemos
dos dados repassados pelo Estado", declarou. "Uma das maiores dificuldades do meu trabalho está exatamente em encontrar e julgar
essas pessoas", informou.
Zurof contou que, até hoje, o Brasil e a Bolívia extraditaram,
cada um, apenas um nazista acusado de crimes de guerra que se encontrava
neste países, enquanto a Argentina já extraditou quatro deles. "Nenhum país da América Latina concordou com investigações sobre nazistas presentes
em seu território".
Por conta disso, o Centro Simon Wiesenthal criou a
campanha Operation: Last Chance (em português, Operação: Última Chance),
que recebe denúncias de possíveis criminosos nazistas ao redor do
planeta (http://www.operationlastchance.org/). "De posse das denúncias, iniciamos os trabalhos de apuração e, caso, as informações
sejam confirmadas, damos encaminhamento para que o julgamento ocorra
no país onde os crimes tenham ocorrido ou no país responsável pela
ordem que originou o crime", explicou o historiador.
Ele destacou, contudo, que a legislação de alguns
países, a exemplo da Suécia e da Noruega, dificultam a "caça aos nazistas". O historiador revelou que, na Suécia, crimes contra a humanidade, crimes de
guerra e genocídios, diretamente relacionados ao nazismo, prescrevem
em 25 anos. Na Noruega, continuou, a legislação foi modificada recentemente:
tais crimes não prescrevem mais. A determinação, porém, não tem efeito
retroativo, o que acaba por beneficiar nazistas envolvidos em crimes
cometidos durante o regime na II Guerra Mundial.
Outras nações, continuou, como o Irã, nem reconhecem
o holocausto. "Por isso, lamentamos que o presidente Lula, um dos maiores líderes mundiais,
troque apertos de mão e abraços com aquele país. É doloroso, ultrajante
e incompreensível para os judeus". Ao mesmo tempo, Zuroff lembrou que os Estados Unidos são o país mais bem sucedido
em todo o mundo em julgar e punir criminosos nazistas, nos últimos
40 anos.
Para o presidente da Sociedade Israelita do Ceará,
José Frenkiel, não é possível que crimes ocorridos "há apenas 65 anos" permaneçam sem punição. "É preciso que estes casos não sejam esquecidos e tenham um desfecho, com a condenação
dos assassinos", disse.
diariodonordeste.globo.com
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