Acusado de agir na morte de 29 mil foi deportado à Alemanha esta semana.
Conheça alguns dos júris de acusados de crimes na Segunda Guerra.
Nesta semana, a Justiça norte-americana liberou a extradição de John Demjanjuk,
suspeito de envolvimento na morte de 29 mil judeus no campo de concentração
de Sobibor durante a Segunda Guerra Mundial. Ele foi levado à Alemanha,
onde será julgado .
Nascido na Ucrânia em 1920, Demjanjuk sempre alegou que foi obrigado a trabalhar
para os nazistas e que os sobreviventes dos campos de extermínio
o confundiram com outros guardas. Em 1948, ele se fez passar por
vítima de guerra e recebeu ajuda como refugiado.
Para o diretor do Centro Simon Wiesenthal, que busca
nazistas responsáveis por atrocidades durante a guerra, a extradição
de Demjanjuk é uma conquista histórica. "Foi uma ótima notícia. Ele não poderia ser julgado nos Estados Unidos porque
não cometeu crimes contra americanos e nem dentro do país. Mas na
Alemanha ele poderá enfrentar um Júri legítimo", explicou Efraim Zuroff ao G1.
Apesar dos mais de 60 anos já passados do fim da Segunda
Guerra Mundial, ainda acontecem julgamentos de responsáveis pelas
atrocidades nazistas. Quando começaram, logo após o fim do conflito,
eles confrontaram vítimas e criminosos e renderam os mais precisos
relatos de histórias do Holocausto existentes.
Nuremberg
O primeiro e mais famoso julgamento ocorreu em 1945,
na cidade de Nuremberg, Alemanha, quando as potências aliadas (ex-URSS,
EUA, França e Inglaterra) organizaram a Corte. O Tribunal Militar
Internacional montado indiciou os réus por crimes contra a paz, crimes
de guerra e crimes contra a humanidade.
Os nazistas julgados foram peças chaves dos massacres, mas a maioria deles não
foi aos tribunais, afirma Zuroff. "O número de pessoas que foi para Nuremberg foi apenas a ponta do iceberg. Lá
só os grandes líderes foram julgados, mas os líderes têm milhares
de seguidores."
Ao todo, 23 acusados foram julgados - dos quais 13
foram condenados à morte e enforcados (um deles se matou antes de
cumprir a pena), três foram condenados à prisão perpétua e quatro
pegaram penas de 10 a 20 anos. Os outros três foram absolvidos. Entre
os condenados estavam Martin Bormann, secretário de Hitler, Rudolf
Hess, líder do partido nazista e amigo pessoal de Hitler, e Ernst
Kaltenbrunner, chefe da polícia secreta e arquiteto da 'solução final'
(massacre de judeus).
Além de Nuremberg, outros julgamentos pós-guerra ocorreram
naquele ano envolvendo guardas de campos de concentração, policiais,
médicos e membros das 'forças-tarefa' nazistas. Segundo o Museu do
Holocausto dos EUA, entre dezembro de 1946 e abril de 1949, a Promotoria
dos EUA julgou 177 pessoas e condenou 97.
Wiesenthal e o julgamento de Eichmann
Simon Wiesenthal foi um sobrevivente do Holocausto
que decidiu dedicar a sua vida a procurar os responsáveis pela tragédia
nazista. Logo após a guerra, ele montou o Centro Histórico de Documentação
Judaica na Áustria e começou sua busca. Entre os muitos casos de
pessoas encontradas e julgadas, o mais famoso é o do alemão Adolf
Eichmann, político e membro da organização militar SS.
Em maio de 1960, o serviço secreto de Israel o capturou na Argentina e o levou
a Jerusalém para ser julgado por uma corte israelense. As acusações
contra ele eram muitas, entre elas crime contra a humanidade (por
ser responsável pela deportação de milhares de judeus e ciganos para
campos de concentração) e participação em organização criminosa.
Ele foi condenado e morto em 1962.
A busca continua
Ao longo dos anos, pistas novas levaram à captura
de mais suspeitos - e mais julgamentos ocorreram. Em 1998, por exemplo,
a França julgou e condenou a 10 anos de prisão Maurice Papon, por
seu papel na organização do transporte de 1.560 judeus a um campo
de concentração.
Outro exemplo é do croata Dinko Sakic, um dos líderes
do Exército e comandante de campos de concentração durante a guerra,
que, após o conflito, foi para Argentina e viveu por meio século
sem tentar se esconder - ele até deu entrevistas dizendo que se orgulhava
do que tinha feito e que faria tudo de novo.
Perseguido e encontrado, em 1999 ele foi declarado
culpado pela morte de mais
de 2 mil judeus, ciganos e sérvios no campo de Jasenovac.
Diante da decisão do júri, Sakic bateu palmas e riu.
Simon Wiesenthal morreu em 2005, mas seu nome foi
levado no centro (veja o site, em inglês) que hoje continua com a
busca por nazistas. Segundo o diretor Zuroff, a maior dificuldade
de julgar os suspeitos hoje é a falta de vontade política dos países. "Por incrível que pareça, é isso. Os governos não se mobilizam."
g1.globo.com
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