28/01/2008
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  Abin e PF procuram pista sobre criminoso de guerra nazista
Agentes policiais e de inteligência brasileiros foram acionados para apurar suspeita
 
 

O governo brasileiro foi procurado por autoridades israelenses em dezembro para auxiliar nas buscas de Aribert Heim -nazista desaparecido em 1962. Ele é conhecido como "Dr. Morte", por experiências e atrocidades cometidas em campos de concentração na Segunda Guerra Mundial.


Se vivo, Heim teria 94 anos.


A Abin (Agência Brasileira de Inteligência) e o Departamento de Inteligência da PF foram acionados. Os ministérios da Justiça e das Relações Exteriores acompanham o caso.


Há dois anos uma outra pista levantou dúvidas se Heim vivia no Brasil. A Folha apurou que, agora, haveria pistas sobre a sua possível localização. Segundo o Centro Simon Wiesenthal, ONG israelense que combate o nazismo, Heim poderia viver aqui ou no Uruguai.


De posse dessas pistas, o centro pediu o auxílio do governo brasileiro. Em dezembro, a embaixada israelense facilitou o contato da fundação com representantes do governo.


A equipe israelense indagou se a legislação brasileira permitia a ação de agentes de inteligência de outros países em território nacional. Ouviu de autoridades federais brasileiras que a hipótese era vedada em lei e que a Abin tinha um setor específico para evitar isso.


O Mossad, serviço de inteligência israelense, já possui um canal de troca de informações com a Abin. As instituições compartilham dados sobre a atuação de grupos e pessoas na fronteira de Brasil, Paraguai e Argentina, em Foz do Iguaçu.


O modelo serviu de base para a apuração sobre o paradeiro de Heim: arapongas brasileiros perseguiriam a pista e repassariam eventuais resultados à Embaixada de Israel.


As apurações da PF e da Abin correm sob sigilo. Procurados na sexta-feira, os órgãos não confirmaram nem mesmo a existência das investigações.


O governo brasileiro mostrou-se cético sobre a chance de localizar Heim, dada a idade avançada que teria. Mas acionou agentes policiais e de inteligência para apurar a suspeita.


A Folha apurou que as pistas fornecidas pelos israelenses não têm se confirmado, mas as investigações ainda estão em curso. A nova pista não é divulgada. Segundo uma autoridade próxima às investigações, a dica seria superficial.

Médico fazia cortes cirúrgicos em pessoas vivas

Durante a Segunda Guerra Mundial, Aribert Heim foi o responsável pela morte de milhares de judeus nos campos de concentração Sachsenhausen e Buchenwald, na Alemanha, e Mauthausen, na Áustria.


Também há relatos de que ele realizou experiências médicas com o objetivo de verificar diferentes efeitos de produtos e soluções químicas e qual deles seria mais "eficiente" no uso de injeção letal. Em alguns casos, o médico fazia cortes cirúrgicos, usando bisturi, em pessoas ainda vivas, durante os testes.


Em evento público em dezembro, o diretor do escritório israelense do Centro Simon Wiesenthal, Efraim Zuroff, anunciou em São Paulo o oferecimento de uma recompensa de 310 mil euros -cerca de R$ 814 mil- para indicações sobre a localização do "Dr. Morte".


Pistas são recebidas por telefone (0/xx/11/8408-7422) e e-mail (ultimaoportunidade@gmail.com). O alerta lançado por Zuroff no Brasil faz parte da chamada Operation Last Chance (operação última chance, em tradução literal, www.operationlastchance.org), em curso em diversos países. A iniciativa foi lançada em 2007 pelo Centro Simon Wiesenthal e pela Fundação Targum Shlishi, dos EUA, para localizar nazistas desaparecidos.


Entre abril de 2006 e março de 2007, 21 pessoas foram condenadas. Há ainda outras 1.019 pessoas suspeitas, em 14 países, sob investigação.

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